segunda-feira, fevereiro 22, 2010

Desafiando as leis do universo.


Seis a zero. Não sei bem o porquê, mas não existe placar mais humilhante do que esse. Nem 7 a 1, nem 8 a 0. Não sei se pelas histórias dos clássicos das goleadas com o Flamengo, ou pela própria redondeza estética do placar, para mim, desde a infância, o placar que mais traduziu uma goleada, um show de bola, uma imensa superioridade de um time em relação ao outro, foi o maldito 6 a 0. 
Uns protestaram, outros desistiram, outros tentavam acalmar-se dando a velha desculpa do "acontece", mas em todos botafoguenses, doeu. Doeu não só pelo placar, não só pela percepção das carências daquele time, não só pela zoação da Segunda-Feira. Doeu, porque relembrou o passado recente, quando o Botafogo perdia de goleada para o Vasco, e era eliminado pelo Americano. Doeu, porque, convenhamos, Dodô jogando por um rival, por ser o símbolo da era em que o Botafogo voltou a disputar alguma coisa, ainda causa em cada botafoguense, um ciúme bobo, daqueles de menino, como quando você vê a sua primeira namorada, com um novo outro namorado. Os 6 valeram como 9, porque cada gol de Dodô com a cruz de malta na Estrela Solitária, valiam como dois naquele que foi um dos primeiros tempos mais sofríveis que eu já vi na minha vida. 
E o time vinha, caminhando, vagarosamente, rumo as semifinais. Más línguas diziam que era melhor não se classificar, melhor perder para o Madureira, vai tomar outro "sapeca iá-iá" na semifinal. E parecia que eles tinham razão. Na sonolenta primeira fase o Botafogo conseguiu a façanha de tornar o jogo contra o Madureira em decisão. E ganhamos, pela primeira vez, bem. Um pouco animados, bastava o empate e iríamos um pouco menos desanimados para as semifinais. Já se disse por aí, pelos próprios alvinegros, que com o Botafogo, a tendência é a vaca sempre voltar para o brejo. O glorioso Resende, então, abre o placar antes dos 30 segundos de jogo. Mesmo com a vitória, de goleada, com 3 de Abreu, ficou a sensação que, aos pouquinhos, a vaca voltaria de onde ela nunca deveria ter saído. 
Faz muito pouco tempo que tudo mudou para poder falar alguma coisa. Nem o gol do Caio, contra o Flamengo, eu assimilei ainda, e me dizem que o Botafogo já é campeão. Quando o Carnaval acabou oficialmente, o Botafogo era o time que perdeu para o campeão da desconhecida Série D. Agora, que o Carnaval acabou extra-oficialmente o Botafogo é o time que ganhou do campeão das Séries A e B. Tem explicação? Além de desafiar as duras e lineares regras do alfabeto, onde, ao que parece, exceto quando se trata do Botafogo, o A e o B estão sempre na frente D, o Botafogo vai além, e desafia as leis mais rigorosa da Matemática. A torcida do Vasco já viu que com o Bota, seis é muito menos que dois. A explicação, ao contrário do que parece, é simples:  Botafogo não é ciência, é paixão. E a estrela solitária, como sempre, brilha mais no escuro.

Thales Machado

4 comentários:

Gabriela disse...

sem palavras... lindo ! =)

daniel mendonça disse...

Belo texto, sério...
O que ninguém cala, ninguém explica...
Saudações Alvinegras, sempre...
daniel

idelgorenstein disse...

Brilhante Thales !!!

Roberto disse...

Parabéns,Thales, texto inspirado, foto muito bem escolhida. O blog da fogohorizonte está excelente, como sempre deveria acontecer com as coisas do fogão.
Abraço,
Roberto